quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sentimentos de Luto

Aquilo pelo que tanto vivemos teve de se enterrar! Fomos nós que a tivemos que matar. Não imaginava que aquilo que construímos seria destruido também pelo mesmo. O que construímos estava a consumir-nos. Não paráva, e tinha de ser... parado. Mas como lidar com um morto-vivo?
Sim porque aqui dentro ela acába-se aos poucos... mas na realidade continua a existir fisicamente. Não! O que existe na realidade não é igual ao que estava cá dentro! Se calhar nunca foi... e ainda bem! O corpo era a tornava o sentimento tangível. Agora o corpo vagueia sem sentimento por esta realidade cada vez mais despida de fascínio, de fantasia... e de amor! Às vezes a tentação de ir atrás de algo que possa ver nesta realidade, ainda bate cá dentro, mas e depois? Vê-se e não se faz nada... já não se pode fazer nada... passou muito tempo... demasiado tempo! Volta-se então para dentro, para a existência e liberdade que nos faz avançar! Dois pilares cairam! Ela caíu porque a derrubei. Não vale já mais a pena imaginar como poderia ter sido o futuro, pois isso foi o que sempre se fez no passado. E nesse passado a que futuro chegámos? À desgraça deste presente! 
Agora limpa-se a alma aos poucos... sem pressas. Chora-se a sua perda, mas que se havia de fazer mais. Sente-se o vazio e o espaço que ficou depois da magia, ilusão e vida terem desaparecido. Há pessoas que tentas o mais rápidamente possível substituir o que se perdeu para que os sentimentos não acabem. É só para preencher o espaço deixado... não sabem o que fazer com o vazio. Nem têm tempo para o luto! e essa rápida operação de substituição às vezes serve para se enganarem a elas mesmas.
Aqui não... não há pressa. Até porque agora temos os despojos para enterrar no espaço do coração que sempre lhe esteve reservado desde o ínicio, e que eu nem sabia. Ali jaz para a eternidade! Nada poderá substituir o que ela já representou. Nem sei se existirá mais espaço para que isso volte a acontecer. Agora chora a minha alma em cima da sua campa quando tem saudades dela, saudades minhas daqueles tempos! Tanto tempo que não deu em nada, apenas um vazio sem fim, escuro, onde paira o nevoeiro numa madrugada eterna. E nesse pântano de saudade há agora uma lápide velha e gasta pelo tempo que foi construída no início dos tempos! Esta campa já existia e foi construida inconscientemete para albergar os restos mortais daquilo que um dia viria a acontecer. Ela sempre esteve ali e eu nunca soube. Só agora vi que o coração afinal tinha ali uma campa na cripta da eternidade para guardar junto às outras vivências aquilo que eu destruí.