O estado de felicidade aparente que nos invade inibiria a nossa vida, mas ao mesmo tempo é a droga que nos mantém vivo. Não morri… ninguém morre! Mas ficamos assim… depois de tudo acabar. É triste ter de destruir o que só nós construímos. Aquele escudo, aquela protecção foi uma teia que tecemos… talvez própria da idade. O tempo corre… e faz as coisas acontecerem. A chama que nos alimentou, extingue-se pois já não tem mais por onde arder!
Fui eu que a apaguei! O caminho já não tem por onde continuar. Agora tudo fica mais frio… mais real! O calor que nos aconchegava o coração desapareceu lentamente até que lentamente o gelo invadiu todo o corpo. Andamos e vivemos, porque viver é o contrário de morrer. Apenas por isso, quase como se fosse uma obrigação. Não há motivação, e espera-se que o dia de amanhã seja melhor. A guarda-se com alguma ânsia por ver o que vai acontecer. Acho que nada do que venha a surgir irá ser igual ao que foi construído… nada. O tempo é outro e a lucidez ofusca os sonhos – é este o preço de crescer! Infelizmente já talvez não seja capaz de conseguir construir algo como o que já fiz. Uma obra-prima acho que é única. Foi moldada à luz dos meus sonhos e da minha liberdade de pensamento. Tudo aquilo que eu não fui nem serei nesta vida.
Agora deambulo velas obrigações do dia-a-dia agarrando-me a projectos palpáveis para satisfazer a necessidade de construir algo, de deixar para já, este legado.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
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